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27 de abril de 2017

Resenha: A Guerra Que Salvou a Minha Vida.


Título: A Guerra Que Salvou a Minha Vida.
Autora: Kimberly Brubaker Bradley.
Ano: 2017. Páginas: 240.
Idioma: Português.
Editora: DarkSide Books.
ISBN-13: 9788594540263.
ISBN-10: 8594540264.
Gênero: Drama, Infanto-juvenil, Jovem adulto.
Categoria: Literatura Estrangeira.
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Sinopse:
Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.
Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.
Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.
Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios.
Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.


A guerra que salvou a minha vida é uma história fictícia que utiliza como pano de fundo um acontecimento real – a segunda guerra mundial – todavia, sem que esse seja o grande foco do livro, porque para nossa protagonista e narradora, temos uma guerra na qual ela batalha pela vida desde que nasceu.

Tendo sua narrativa em primeira pessoa, com uma simplicidade que está de acordo com a personalidade da personagem que nos conta sua vida – Ada –, a autora nos conduz de forma muito rápida ao final do livro, porque ela consegue nos prender e só o largamos quando chega o fim. Aliás, fim esse que me deixou com uma necessidade de: “Por favor, só mais algumas páginas, por favor...” – mas, é óbvio que o meu pedido não tem como ser atendido, afinal, o livro já está pronto. Acredite em mim, o fim nos deixa com uma grande necessidade de “bater um papo” com a autora por não ter nos presenteado com apenas um capítulo mais. Ok, vamos ao livro! – risos.

Ada é uma menina que vivia em Londres – Inglaterra –, com seu irmão – Jamie – e “a Mãe” – Pela qual, já nas primeiras páginas, passei a nutrir certa raiva, muita, confesso! – em um apartamento pequeno, fétido, sem condições de saneamento – para Ada – adequadas, na periferia – ao meu ver.

“A Mãe” é uma mulher que nos causa nojo, raiva, que nos faz querer ver Jamie e Ada livres dela, livres para sempre. A mulher trata os filhos como qualquer coisa, não presa por suas vidas, não se preocupa com eles e adora puni-los, principalmente a nossa mocinha, Ada, ela os mantém – mal e porcamente – apenas por obrigação.

"Se eu conseguisse andar, talvez a Mãe não sentisse tanta vergonha de mim. Talvez pudéssemos disfarçar o meu pé aleijado. Talvez eu pudesse sair de casa e ficar com meu irmão, ou pelo menos ir onde ele estivesse, caso precisasse de mim."

Ada nasceu com uma má formação em um de seus pés, o chamado, no livro, “pé-torto”, que, segundo consta na história, poderia ter sido corrigido facilmente enquanto a menina ainda era bebê – fato desconhecido por Ada e seu irmão que é mais novo do que ela. Ada tem a idade estimada entre 10 e 12 anos, e Jamie entre 6 e 7, nem isso eles sabem ao certo, a “Mãe” nunca falou direito para, nem com eles. O Pai das crianças é falecido desde que Jamei era apenas um bebê. E o fato de Ada ser “aleijada” faz com que a “Mãe” tenha vergonha dela, que a trate muito mal, com um desprezo imenso, deixando a menina presa no apartamento, proibindo-a de sair, alimentando-a muito, muito mal, proibindo a menina de fazer qualquer coisa que não seja cuidar do Jamie – quando ele está em casa – ou fazendo chá para a megera (Sério, gente, eu odiei essa mulher! Deus, quanta raiva passeia em todos os momentos que eu sabia que eram por culpa dela, estivesse ela presente ou não!) – e fazendo as pessoas pensarem que Ada é – como ela diz – retardada, incapaz de aprender ou de interagir com as pessoas – e assim a menina segue sua vida, achando que é a culpada por não poder sair para brincar, como o seu irmão faz, achando que é a responsável por tudo de ruim que acontece e que é a sua vida, achando que ela é um nada, uma coisa, uma aberração, que as pessoas tem nojo dela, pois é a visão que a “Mãe” a faz ter de si.

“A Mãe” abusa psicológica e fisicamente de seus filhos, batendo neles e punindo-os sem necessidade, acabando com suas autoestimas e diminuindo a Ada muito, ao ponto de a menina sentir-se um nada, de achar que não merece amor. O livro mexe muito com o lado psicológico das crianças, com imenso destaque para o estado da menina, que é bem dolorido de se imaginar que uma mãe leve um filho ao extremo.

Enfim, com o anuncio de que a Guerra está caminhando para a Inglaterra, as crianças de Londres são evacuadas para o interior do país – no intuito de protegê-las e isso é um fato que aconteceu na realidade e utilizado na história –. No caso, as crianças deixam seus pais, suas casas, tudo para trás e partem para viver na casa de parentes do interior e aqueles que não os tem, na casa de estranhos que se dispõe a acolhe-los. Vale ressaltar que, na história da vida real, se pesquisarmos um pouquinho, temos a informação de que nem todos as crianças evacuadas foram bem recebidas, e de que muitas foram exploradas e ou abusadas por aqueles que as acolheram.

Na nossa história, as crianças, Ada e Jamie deram sorte. Ada literalmente fugiu, pois pela “Mãe”, apenas Jamie iria seguir e Ada ficaria em Londres para “receber bomba”. Ada literalmente fugiu, na garra e na coragem, e é nesse ponto que a história e a vida começa para nossa protagonista.

Em meio a guerra, racionamento, nossas crianças, Ada e Jamei precisam aprender a lidar com uma nova vida, como a história se passa no início da guerra, a gente não vê muita coisa sobre ela, o que acompanhamos é o desenvolvimento da relação entre Susan – a mulher que os acolhe – e as crianças. Jamei acaba cedendo com mais facilidade, por ser mais novo e, evidentemente, por não ter nenhuma condição física diferente, ele não sofreu tanto quando a Ada – mas ele sofre.

Sei que estou me prolongando bastante, portanto vou tentar ser mais direta, é que gostei bastante da história e poderia ficar aqui, escrevendo sobre, por horas. A gente vê o início da guerra, de forma leve, pelos olhos de Ada – que é quem narra o livro do começo ao fim –. Como eu disse antes, o foco é nas crianças, no desenvolvimento delas, no amadurecimento dos personagens, e na chance de salvarem suas vidas, de que, apesar de estarem sobre a ameaça da guerra, terem a oportunidade de aprenderem a viver, de amarem e serem amados.

Uma história de superação, de força de vontade, com um cenário real para uma história completamente fictícia. Não espere ver muito sobre a guerra, encontrar detalhes e informações sobre as batalhas, e tal, mas esteja preparado para se encantar com a Ada, a sua capacidade de lidar com a vida e mantenha sua mente aberta, porque ela tem de superar o pânico, o vazio de sua vida, ela tem de aprender a viver.

O final do livro dá total sentido ao título que a obra recebeu, é um final bonito, ainda que seja triste, deixa a gente com um misto de “Ah”, e de “Oh, Deus!” ao mesmo tempo. Um sabor agridoce na boca, algo meio difícil de descrever e uma necessidade de umas palavrinhas a mais, porque a segunda guerra mundial está só começando e a gente torce para que os personagens possam ter uma vida melhor.

Enfim, a leitura é fluída, gostosa, deliciosa, a temática dos problemas psicológicos desenvolvidos nos personagens pela falta de cuidados, pelo desprezo e o aprisionamento são bem trabalhados.

Para quem optar por ler, tenho a teoria de que Susan e sua amiga falecida, em verdade eram um casal, mas, isso é algo que fica nas entrelinhas, é questão de interpretação e foi a forma com que entendi, até porque na época em que o livro se passa é algo que não era visto com bons olhos e nem escancarado para a sociedade.

Eu realmente amei a leitura, e a recomendo. A edição é linda, a capa um mimo, o livro é cheio de detalhes a cada virar de página que o deixa ainda mais charmoso, capa dura, páginas amareladas e de boa gramatura. A revisão pecou um pouquinho, pouco mesmo, nada que tire o brilho do livro.

É uma leitura para quem gosta de algo diferente, de superação, de amor, e para quem entende que a família de verdade pode estar onde menos esperamos. O que posso dizer é: LEIAM!

Avaliação:

Até mais!

9 comentários :

  1. Ana que incrível essa resenha, com toda certeza eu adoraria realizar a leitura desse livrinho, a Darkside está se superando e sei que amaria ler, ótima resenha flor.
    Beijinhos

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  2. Oioi
    Acho que vou amar o livro, gosto demais de histórias que juntam crianças e a época das guerras, Acho que dá uma visão mais esperançosa daquela época e isso me encanta muito

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  3. Oi!!
    Quando eu vi esse lançamento no facebook me encantei com a capa e imagino que a edição deve ser linda como todos os livros da DarkSide.
    Adoro tudo que tem como pano de fundo a segunda guerra mundial.
    Ainn eu já desejava ler esse livro e agora lendo essa primeira resenha dele já estou querendo mais ainda. Se você ficou pedindo mais páginas depois que ele terminou é porque a história é muito boa.
    Preciso definitivamente conhecer a história de Ada do início ao fim.
    Beijão!

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  4. Olá
    desde que eu vi a sua sinopse no Facebook da editora eu fiquei louco para ler essa obra, e ate o momento não consegui comprar ele. Sou muito fã de livros que traga esse plano falando sobre guerra, acho bem legal. A capa está muito linda (como sempre) Adorei a resenha espero poder amar o livro tanto quanto voce
    bjks

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  5. Olá, tudo bem? Adorei a resenha. Esse livro está meu desejados da Darkside justamente pelo tema tratado. Que bom que vi opinião positiva aqui, isso só me deixa com mais vontade ainda de ler. Adorei <3
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

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  6. Oi, Ana.
    Tenho muita vontade de ler esse livro e sua resenha só me deixou mais animada!
    Gosto muito de livros que tratam de pessoas comuns que são afetadas pela guerra!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  7. Olá lindona,

    O título do livro já me conquistou de primeira, porque fala sobre sofrimento, esperança e recomeço durante e depois de uma guerra que não só mata pessoas, mas devasta todos os corações e mentes que sobrevivem a essa crueldade.

    Beijos!

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  8. Que resenha apaixonada pelo livro. Comprova que a autora conseguiu cumprir o que a sinopse promete, uma história tocante e que te absorve para ela. Obrigada pela dica, vou pesquisar! Abraços!

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  9. Olá Ana!
    Já ouvi muitos elogios para esse livro, mas ainda não tive a oportunidade de comprar meu exemplar para ler. Gostei muito de conhecer suas impressões e fiquei contente que você tenha dotado da leitura e que ela tenha sido fluida para ti.
    Acho muito legal querermos falar tanto assim de um livro e espero gostar como você.
    Beijos

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