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23 de abril de 2016

Resenha: O Conde Enfeitiçado. #06.

Título: O Conde Enfeitiçado.
Série: Os Bridgertons.
Livro: 06.
Ano: 2015.
Páginas: 304.
Autora: Julia Quinn.
Editora: Arqueiro.
Idioma: Português.
ISBN-13: 9788580414400.
ISBN-10: 8580414407.
Adicione ao Skoob. 
Romance / Romance de época / Ficção / Literatura Estrangeira.

Sinopse:
Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton.
Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele.
Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite.
Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.
No sexto livro da série Os Bridgertons, Julia Quinn mostra, em sua já consagrada escrita cheia de delicadezas, que a vida sempre nos reserva um final feliz. Basta que estejamos atentos para enxergá-lo. 
 

Havia muitos sentimentos a temer na vida, mas a estranheza não deveria ser um deles.

Com um misto de sensações que não estou conseguindo definir muito bem é que escrevo essa resenha. O Conde Enfeitiçado foi-me uma grata surpresa. Confesso que ao decorrer da série, Francesca foi mantida tão a margem de tudo e de todos que nunca despertou muito o meu interesse. Confesso também que, lá no quarto volume, a menção de que ela casou-se e dois anos depois enviuvou acendeu um alerta na minha cabeça mas que logo deixei de lado devido ao decorrer das tramas do quarto e quinto volumes da série.

Em toda vida ocorre um momento decisivo. Um instante tão extraordinário, tão claro e tão nítido que temos a sensação de havermos sido golpeados no peito, deixados sem fôlego, sabendo, sem a menor sombra de dúvida, que nossa vida jamais será a mesma.

Mas, agora que chegou a sua vez, ela teve a oportunidade de mostrar quem é e lentamente me conquistou. Eu realmente não esperava gostar dessa personagem, mas gostei e gostei mesmo – ainda que alguns detalhes de sua "ignorância" (lentidão para perceber o que era tão evidente) tenham me irritado. Como a sinopse apresenta, Frannie – como é carinhosamente chamada – casa-se com John e ela realmente o ama e ama muito. O casamento da nossa mocinha é bonito e a relação que ela tem com seu esposo é linda, tudo ia maravilhosamente bem, ela já estava casada a dois anos. Só que o destino é algo que nem sempre é justo, aliás, a justiça da vida as vezes é apenas poética pois na realidade... nem sempre se aplica. E em um dia normal Frannie vê seu esposo vivo pela última vez...  

Desejara Francesca. Apenas isso. Mas não dessa forma. Não àquele preço. Jamais invejara a boa sorte de John. Jamais invejara o título, o dinheiro ou o poder dele. Invejara apenas a sua mulher.

Jovem, com apenas 22 anos, ela se vê viúva e seu mundo perfeito cai por terra, ela perde seu amor e também o único no qual desejava apoiar-se, o seu melhor amigo e primo de John, o querido Michael Stirling – conhecido como Devasso Alegre e ela realmente não entende como o seu melhor amigo tem a coragem de abandoná-la no momento mais difícil da sua vida.
Só que a morte de John é tão difícil para Michael quanto para ela e cada pessoa lida com a dor de uma forma diferente, tendo como agravante a culpa que carrega por ser apaixonado pela esposa de seu primo, Michael – ainda que não tenha culpa alguma pela fatalidade da morte prematura de John – sente-se culpado e triste. Essa culpa é devido a seus sentimentos por Francesca e ele não sabe muito bem como lidar com todos os acontecimentos. O Devasso Alegre é o parente homem mais próximo e também o primeiro na linha de sucessão para receber o Condado e isso só faz com que ele culpe-se ainda mais.

Os lábios dele tocaram os seus de leve. Era o tipo de beijo que seduzia com a sutileza, que fazia o corpo formigar e que deixava a pessoa desesperada, querendo mais. Nos recantos mais nebulosos de sua mente, Francesca sabia que aquilo era errado. Mas não conseguiria ter se movido nem se as labaredas do inferno estivessem lambendo seus pés.

Enfim, Michael faz algumas escolhas que o levam para longe de sua família e para longe de Francesca. Ele passa quatro longos anos fora e mantendo contato com sua família através de cartas. Frannie, além da dor do luto, se vê obrigada a cuidar do condado de Kilmartin e tudo é tão difícil, mas ela se esforça. A relação que Frannie tem com sua sogra e com a mãe de Michael – a família de John  é muito bonita. A forma com que as senhoras são devotas a ela e vice-versa, é linda. Novamente, Violet, a mãe de Frannie, é maravilhosa e mostra o quanto conhece seus filhos. Para complicar as coisas, quatro anos após o luto, Frannie toma uma decisão que novamente faz sua vida girar em um angulo de 360 graus, mas ainda assim, sua mãe a apoia. E, em meio a essa decisão, Michael retorna para bagunçar tudo.

Jamais escaparia daquela mulher. E jamais poderia tê-la. Mesmo com John morto, era impossível. Era errado. Muita coisa havia acontecido e ele jamais seria capaz de se livrar da sensação de tê-la roubado.

Bom, nós temos muitos autos e baixos entre os personagens nesse volume. Sofrimento, dor, culpa, maturidade, necessidade, paixão, amor, tristeza, alegria, sensualidade e sensibilidade extrema, Michael é um personagem muito sensível – ainda que não queira demonstrar e isso me conquistou, ele é o grande destaque dessa história.
Não é fácil perder alguém que se ama e mais difícil ainda é se culpar por algo que ele não tem controle, seus sentimentos. É difícil lidar com as perdas e como disse anteriormente nessa resenha, cada pessoa lida com a morte a seu modo, por isso, compreendi Michael.
Colin é essencial nessa história, ainda que sua participação tenha sido pequena, ele fez sua parte com maestria – já disse que adoro esse Bridgerton? Pois é, adoro mesmo!

Michael conhecia bem essa tática. O elegante subterfúgio de Colin era o tipo de manobra que ele mesmo utilizava com imensa facilidade. E foi provavelmente devido a essa constatação que sua mão direita se fechou em punho embaixo da mesa. Nada tinha o poder de irritar tanto quanto o reflexo do nosso próprio comportamento em outra pessoa.

São tantos acontecimentos e desafios pessoais que os personagens encaram nesse volume que nos deixam com o coração apertado e torcendo para que o desfecho chegue logo. Esperamos por isso na esperança de que possamos suspirar aliviados – ou não. Julia Quinn – na minha humilde opinião – abusou da dor, das perdas, dos momentos difíceis e de atemorizar nossos queridos personagens nesse volume. Meu Deus, confesso que sofri com Frannie em um determinado momento e seu medo foi palpável. 
No fim das contas, trata-se de uma segunda chance, para ambos os personagens, mas nada é fácil e as convicções que ambos possuem pode destruir tudo. É nesse misto de medo e vontades que o enredo segue, porém, tudo é possível no final e a autora me fez sentir receio ao decorrer das últimas páginas. Enfim, se você quer saber qual foi o desfecho desse romance de época, terá de ler porque me nego a contar!
Mais uma vez, a autora deixou uma carta para o leitor no final da obra, que na minha opinião, foi essencial para não ficarmos com uma sensação de vazio no final da história.

E ele, que dormira com tantas mulheres, subitamente se deu conta de que nada fora até então além de um menino imaturo. Porque nunca tinha sido daquela maneira. Antes tinha sido o seu corpo. Aquilo era a sua alma.

Senti um pouco a falta da presença da família Bridgerton de um modo mais enfático, todavia, de acordo com a personalidade de Frannie, essa ausência fica condizente. Não é que ela não os ame, é só que Frannie é aquela pessoa que gosta mais do seu cantinho e de levar a vida a seu modo, entretanto, disponível para qualquer coisa que a amada família precise dela. Ah, algo que foi perfeito, é que a autora se ateve aos detalhes da medicina de acordo com a época, ela soube conduzir os acontecimentos sem dizer mais ou menos do que se tinha conhecimento no período ao qual se passa a história, perfeito! Francesca é a típica personagem que quebra tabus e isso é muito agradável.

Quanto a brochura, a capa novamente está encantadora, encontrei alguns errinhos bobos na revisão mas que em nada atrapalhe ou apague o brilho dessa linda, profunda e irreverente história. Indico a leitura para qualquer pessoa que goste de romance de época em um tom mais sério (foi o livro mais sério até o momento desta série), com uma pitada de drama, com sentimentos muito aflorados e todos os afins que os circundam. Um livro bem intenso!


Bom, é isso... Vou ficando por aqui, mas com aquela sensação de que começo a me despedir dessa linda série que me ganhou, me cativou e encantou. Só faltam dois volumes para que essa seja encerrada.

9 comentários :

  1. Oi, Ana!

    Confesso que sempre que vejo uma resenha de algum livro desta série eu fico receosa. O que aconteceu foi que li o primeiro livro e simplesmente detestei, sério!
    Decidi que não leria mais nada da autora, principalmente da série, pois os personagens do primeiro livro não me agradaram em nada e como adoradora de romances de época, tinha muitas expectativas que não foram supridas. Isso me entristeceu.
    Nunca, nunca vi uma resenha negativa sobre os livros, além da minha. Comecei a me achar um ET. Mas depois percebi que é normal.
    Uma coisa me chamou muito a atenção na sua resenha. Você disse que é o livro mais sério, isso me prendeu por um momento. Talvez a loucura daquele livro (o primeiro) não tenha me agradado também. E eu fiquei bastante esperançosa agora. Só fico com aquela dúvida, se eu ler este livro, por exemplo, conseguirei compreender toda a história ou precisaria ler os outros antes? Acho que talvez isso varie, mas não sei, fico em dúvida.
    Bom, ótima resenha, parabéns!
    Desculpe pelo longo comentário.
    Beijos

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  2. Ooi! Como já disse, Colin é meu amorzinho mais lindo e fofo da face da terra <3 se eu pudesse me casar com algum Bridgerton, seria ele!
    Então, eu estou adiando a leitura deste, porque o drama contido talvez não me agrade, mesmo que eu ame a escrita da Julia e seus personagens, eu não quero me decepcionar, sabe? Então, estou deixando um pouco de lado.
    Amei a resenha, claro!
    Beijos

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  3. Olá,
    Eu já conheço a série da Julia Quinn, mas ainda não parei para ler nenhum dos livros. Sei que cada um deles são "independentes", e por isso quero ler fora de ordem. Incluindo esse que gostei bastante da sinopse e da sua resenha e queria saber qual a decisão da Frannie e o que aconteceu quando o Michael voltou.
    Beijos

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  4. Oii, tudo bem??

    Romance não faz muito o meu estilo, mas às vezes me dá umas loucas e pego algum para ler.. em geral gosto mais de romances de época e esse me parece um que eu poderia gostar. Quem sabe eu não pego ele qualquer dia?

    A resenha ficou ótima, Beijos.

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  5. Ana,
    Eu quero muito ler essa série e me apaixonar como você!
    Imagino que esse livro tem mais sofrimento, luto e ainda saber lidar com todas essas dificuldades que a vida apresenta. Torço que o casal tenha uma chance.
    Beijosss

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  6. Olá, Ana!
    Há algum tempo quero ler essa coleção, mas ainda não tive tempo. As estórias parecem ser maravilhosas e cativantes. Adorei sua resenha!
    Beijos, Garota Vermelha
    www.livrosdagarotavermelha.wordpress.com

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  7. Ainnn esse série surpreende a cada volume *-* ainda to no terceiro, mas me apaixonei pela escrita desde o primeiro <3

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  8. Olá Ana,
    Sou apaixonada por essa série e sinto o mesmo que você sentia: a Francesca nunca apareceu muito. Gostei da personalidade da Frannie, acho que, assim como os outros personagens, ela foi bem construída. Também me atraiu muito a diferença desse volume, pois ela é viúva. A dor dela deve ser tamanha e quero saber como ela lida com isso.
    Adorei sua resenha, ela me deixou, ainda mais, curiosa para ler o livro.
    Beijos

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  9. Oi Ana, acreditas que nunca li nada da Julia Quinn...Sério. Mas, me interesso bastante pelos livros dela, esse me chamou bastante atenção. Acho que pleo drama, por envolver sentimentos conflituosos, e isso faz o leitor se envolver mais com os personagens...E isso é muito importante para mim. Amei sua resenha, beijos!

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