28 de março de 2018

Resenha: O Mau Exemplo de Cameron Post.

em 28 de março de 2018

20 comentários
Nome: O Mau Exemplo de Cameron Post.
Autora: Emily M. Danforth.
Editora: HarperCollins Brasil.
Gênero: Ficção, jovem adulto, LGBT, GLS, literatura estrangeira.
Páginas: 448. Ano: 2018.
ISBN-13: 9788595080980
ISBN-10: 8595080984
Skoob: aqui.
Compre: aqui.

Cortesia / Editora parceira LT 2018.

Quando os pais de Cameron Post morrem em um acidente de carro, a primeira coisa que ela sente, para sua própria surpresa, é alívio. Alívio que eles nunca vão precisar saber que, algumas horas antes, ela estava beijando uma menina.

Mas o alívio não dura, e Cam é forçada a morar com sua tia ultraconservadora e sua bem-intencionada mas antiquada avó. Ela sabe que, daqui em diante, tudo será diferente. Sobreviver nessa pequena cidade rural de Montana exige que Cam finja ser igual a todo mundo e evite assuntos indelicados (como diria sua avó), e ela é boa nisso.

Até que Coley Taylor chega à cidade. Coley é perfeita, e tem um namorado perfeito para completar. Ela e Cam forjam uma amizade intensa, que parece deixar espaço para algo mais. Mas assim que isso começa a parecer possível, a religiosa tia Ruth decide que é hora de “consertar” sua sobrinha, a mandando para God’s Promise, um acampamento de conversão que deve “curar” sua homossexualidade. Lá, Cam fica frente a frente com o custo de negar quem ela é – mesmo que ela não tenha certeza que sabe realmente quem é.


O mau exemplo de Cameron Post é uma estreia literária inesquecível e impressionante sobre descobrir quem você é e ter a coragem de viver de acordo com suas próprias regras.

Oi, gente! Hoje venho trazer um livro que vai causar um certo rebuliço por ai. Um livro que originalmente foi classificado como ficção, mas falando sério e vendo o nosso mundo de hoje em dia, essa ficção está bem próxima de se tornar realidade, infelizmente.

Bem-vindos ao Mau Exemplo de Cameron Post!
Eita livro complexo! Vamos lá...


O Mau Exemplo de Cameron Post é um livro que não é nem um pouco curto e, para ser sincera, ele também não é um livro que seja de fácil leitura. É um livro complexo, real, que nos ensina o outro lado do preconceito e nos mostra o que uma pessoa que é homossexual passa perante algumas pessoas da sociedade até hoje. Principalmente atualmente, com alguns lideres religiosos que estão por ai querendo se tornar presidente para fundar a "cura gay! 

Voltando...

O Mau Exemplo de Cameron Post nos conta a trajetória de vida de Cameron desde o primeiro beijo, a descoberta da sexualidade, os seus medos, as suas angústias e os seus sofrimentos. 

O livro se inicia com a nossa protagonista pré-adolescente, ela tinha uma vida considerada boa. Com pais que amava e a sua melhor amiga, Irene. Desde pequena, podemos perceber que a nossa mocinha é bem influenciável de certa maneira e se deixa envolver em tudo o que lhe “desafiam”, sejam pequenas coisas como quem chega primeiro em uma corrida, até coisas mais sérias como roubar pequenos objetos de lojas. No entanto, a vida da personagem mudou quando ela foi desafiada por Irene a lhe dar um beijo. Nesse momento, Cameron viu que o que sentia por Irene, mesmo sendo criança, não era apenas um amor de amiga e sim algo mais, uma atração a mais, e por conta disso os beijos passaram a se repetir até que algo muito ruim acontece na vida de dela.   

Levando em consideração que o livro se passa inicialmente no verão de 1989, conseguimos entender o porquê de as coisas ruins que aconteceram com a jovem ela atribuir como consequência dos seus últimos atos, afinal, roubar e beijar uma pessoa do mesmo sexo, para época era algo repulsivo para determinadas crenças.

A vida de Cam virou de ponta cabeça, agora ela morava com a sua avó e a sua tia que é uma pessoa extremamente religiosa e vive com base nos ensinamentos e nas crenças da Igreja, e Irene foi embora. A nossa menina tentava evitar, levava sua vida de maneira normal, mas não conseguia deixar de notar que era diferente, que gostava mesmo de meninas e não dos garotos.

Foi quando Cam conheceu Coley Taylor, uma jovem que chega na cidade. Sabe aquelas meninas perfeitas, com o namorado perfeito e tudo mais? Pois então, Coley vira a melhor amiga de Cam e consequentemente o seu novo amor. O que a jovem não esperava era que seria correspondida e eis que começa o “inferno de Cam”.

A sexualidade “exótica” de Cam é algo que é totalmente contra os ensinamentos cristãos e por isso a jovem é levada até o Promessa de Deus, um local no qual os adolescentes pecadores são enviados para que através da palavra do Senhor encontrem a cura.


Nossa... Vou ser sincera para com vocês, esse livro não foi nem um pouquinho fácil para mim. 

Não sou uma pessoa que gosta de livros biográficos e O Mau Exemplo de Cameron Post,c onforme a leitura ia fluindo, me passava a sensação de que estava lendo a história de vida de alguém. Isso ocorre porque tudo em seu decorrer é muito bem detalhado, sejam as ações, os sentimentos e até mesmo as consequências de tudo. A perfeição dos detalhes surpreende o leitor, para alguns a riqueza dos detalhes pode ser um ponto positivo, para outros como eu pode atrapalhar a leitura um pouquinho.

Outro fator que me incomodou um pouco foi à falta de um “ápice”. Sabe aquele momento em que o livro chega a um auge e então lhe prende de tal forma que você não consegue largar o mesmo? Não encontrei isso nessa obra. Ele é uma constante, um crescimento progressivo sobre a vida e as suas consequências.

As personagens citadas como um todo são muito bem desenvolvidas, e possuem o seu papel importante na história, ao seu modo. Confesso que não senti a menor feição por Cameron, tiveram muitas partes do livro em que eu tinha vontade de dar uns tapas nela, mas nos seus momentos de mais necessidade e dúvidas, tinha vontade de pegá-la no colo e falar: “Ei garotinha, está tudo bem. Todas as formas de amor são válidas”.

A escrita da autora é simples, mas para minha pessoa, a leitura não foi fluída por conta dos vários detalhes que possui em seu decorrer. A obra é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista da protagonista. Não encontrei nenhum erro de edição ou revisão. Falando de edição, a mesma está simples e com algumas ilustrações, as páginas são amareladas, com um ótimo espaçamento entre as linhas e conta com uma confortável fonte para a leitura. A divisão dos capítulos e das partes do livro são bem definidas.

Falando nisso, o livro é dividido em três partes: Verão de 1989, Ensino Médio –
1991 - 1992 e A Promessa de Deus – 1992 - 1993, sendo essa a pior parte do livro, na minha opinião. Longe de mim falar isso em relação a escrita ou a história em si, mas coloco isso por realmente não concordar com essa medida. Doeu ler. Me machucou, me chocou e me deixou revoltada. Não é errado uma pessoa ser homossexual, não é um pecado isso. É amor! Não escolhemos quem amamos, simplesmente acontece e não merecemos ser julgados por isso e muito menos pagar por isso.

Pessoalmente acredito que a adolescência é uma época de descobertas, é a principal fase da sua vida, na qual você vai descobrir quem você é, o que você quer ser e como você quer levar a sua vida. A obrigação e o castigo acabam por estragar uma pessoa mesmo quando querem ajudar, tornando uma pessoa ressentida e infeliz, para não falar rebelde e revoltada. E esse livro nos trás isso, nos mostra a questão de ter que negar a si, para agradar os outros. Vale a pena isso?

O que me faz dizer que esse livro é muito atual, impactante, bem impactante na verdade, e uma leitura muito necessária e até mesmo obrigatória para os jovens e principalmente para as pessoas que são muito conservadoras. Você já se imaginou presa em um mundo no qual você é tido como a pessoa errada, por ser aquilo que você nasceu para ser? – acorda sociedade!

Algo que vale a pena levantar, talvez, é que, para mim, a crítica da autora nesse livro não está voltada para homofobia apenas e sim para o fanatismo religioso também. Tudo o que é demais é ruim, para todos os fatores da nossa vida. Para quem não sabe, eu, Mayara, sou uma pessoa muito religiosa, mas a minha religião não tem nada haver com isso que está no livro e foi com base nos ensinamentos que estou tendo diariamente que aprendi que nada nessa vida deve ser levado a ferro e fogo, tudo tem um porém, tudo tem uma opção e acredite, o que mais importa lá na frente é a sua atitude para com o outro do que o que você seguiu e construiu. Fica a dica. 

[QUOTES]

“Era assim que as coisas normalmente aconteciam entre nós. Éramos melhores amigas ou inimigas mortais, sem meio-termo. Empatamos na posição de melhores alunas entre o primeiro e o sexto ano. Na competição de preparo físico, ela me venceu na barra fixa e no salto, mas eu arrasei nas flexões, nos abdominais e no tiro de cinquenta metros. Irene tinha vencido o concurso de soletrar; eu, a feira de ciência.”


“Mesmo que nunca tivessem me dito especificamente para não beijar uma garota, ninguém precisava fazer isso. Beijos eram coisas entre meninos e meninas: na nossa turma, na TV, nos filmes, no mundo.”

“Gosto de pensar que podem ver tudo, e que seja lá o que estiver esperando por mim, espero que não consiga me derrubar. Ao menos não muito.”

Classificação:


20 comentários :

  1. Eu também sou religiosa demais, assídua e seguidora. Mas confesso que também não entendo as religiões que condenam, que apontam o dedo e julgam sem piedade alguma.
    Sei lá...ainda é muito estranho tudo isso.
    Mas voltando ao livro, não conhecia e gostei demais de tudo que li acima. Mesmo em sua complexidade e talvez um pouco de revolta, acredito que seja uma leitura meio que obrigatória, ainda mais nos tempos que vivemos.
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  2. Oi... Confesso que não é o meu gênero preferido e também achei a estória um pouco densa.
    Mas quem sabe um dia eu leia.

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  3. Oi Mayara, tudo bem? Apesar de não parecer uma leitura muito fácil, o tema me chama bastante atenção. Acho que parece um livro que todos deveriam ler e debater mais sobre o tema, pais e adolescentes! Está na minha lista de leitura!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Olá, tudo bem ?
    Achei interessante conhecer sobre o livro e a temática, mas estou fugindo de livros densos de leitura arrastada e que exija muito de meu psicológico, então neste momento, deixo o livro passar. Mas achei bem interessante também a forma como ele é dividido.
    Beijos

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  5. Oi May! Este é um livro atual. Vemos hoje repúdio e preconceito com tudo que é diferente, não somente a escolha sexual, mas por vários outros aspectos as pessoas são pré julgadas, antes de serem conhecidas e apreciadas por seu valor como pessoas. Entendi porque você se sentiu incomodada com o modo como a autora conduziu o livro. A garota se oprime desde criança, e passa a conviver com pessoas que a julgam doente, e entra aí mais um assunto super atual: o fanatismo religioso. Também sou uma pessoa de fé, apesar de não seguir exatamente determinada religião. Elas usam a religião como tábua de salvação para algo completamente comum e normal. Afinal, amar é doença?
    Compartilho de sua opiniões.

    Bjoxx - http://www.stalker-literaria.com/

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  6. Estou curiosa para ler essa obra, embora já tenha lido mais de uma vez que a leitura é um pouco arrastada, devido a detalhes e complexidade do tema que a autora aborda. Concordo com você quando diz que esse tema é bem atual, muito atual. Concordo também que tudo em excesso prejudica, seja lá o que for. E outra coisa, sempre houve conservadorismos e preconceitos, mas acresito que hoje em dia a coisa está pior por estar mais escancarada. Parece que as pessoas perderam a noção de pudor e respeito alheio, uma quase certeza de impunidade as ampara. Ainda mais depois do advento das redes sociais que as torna "anônimas". Lamentável! Só tem uma coisa que ainda não sabia sobre a obra, a falta de ápice, poxa que chato isso, todo leitor espera por um ápice rs Bexus @leitoraconectada

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  7. Já conhecia o livro em questão, assim como sua premissa dramática, mas é novo essa complexidade que mencionou. Confesso que não curto mutas descrições de detalhes, mas se elas tornam a trama mais rica, é aceitável. Lendo tudo que mencionou entendo a sua opinião sobre complexidade. Quero muito ler.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  8. Helloo, tudo numa nice?!
    Devo ter visto esse livro por aí entre os leitores do skoob, mas nunca tinha lido resenha ou nada sobre ele. Não me interessou. Além de a obra se passar há muito tempo. Isso também me afasta como leitora. Acho que um romance, YA ou qualquer gênero parecido não poderia ser descritivo, pois fica cansativo demais. Anyways, o livro não me interessou.
    Beijin...
    Alana Gabriela | Books and Stuff

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  9. Olá!
    Eu vi sobre esse livro e tinha ficado curiosa. Acho que só do fato dele ser YA me chama atenção e pelo visto o autor soube conduzir a trama. Uma coisa que me atrai muito nas leituras é quando são divididas em partes, pois dá pra reunirmos mais informações sobre os personagens.
    Sua resenha me deixou com boas expectativas e espero ler em algum momento.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  10. Este livro está na minha lista para ler ainda este semestre e confesso que fiquei um pouco receosa quando você o descreve de difícil leitura. Mas acho o tema importante e traz representativa e isso é sempre bem vindo. Acho que a homofobia caminha quase de mãos dadas com o fanatismo religioso e acho que a leitura pode ser bem esclarecedora neste ponto. Adorei a resenha.
    Beijos

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  11. Oi!

    Eu não conhecia esse livro até a sua resenha, mas confesso que fiquei impactada com a sinopse ao dizer que a personagem sentiu o alívio quando os pais morreram, é um sentimento tão difícil de querer ser aceito e amado simplesmente por ser quem é, sem julgamentos e preconceitos. Acredito que deva ser uma leitura pesada, mas essencial para entender melhor tudo o que um homossexual passa. Obrigada pela dica! Pretendo ler em breve =)

    beijos

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  12. Oi, Mayara!
    Pessoalmente, acho sempre uma escolha muito interessante quando as histórias não possuem um ápice, é uma forma que obriga a autora a ter uma escrita extremamente redondinha para que a continuidade e ritmo da narrativa se mantenha sem qualquer outro recurso - confesso que fiquei bastante interessada no livro principalmente por causa disso. O tema tratado também é bastante importante, pela sua resenha me pareceu que realmente o tema do preconceito se entrelaçou bem com o do extremismo religioso (e né, tudo em excesso faz mal). Já coloquei na minha lista de próximas leituras!
    Beijo!

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  13. Oie, tudo bom? Não conseguiria ler algo assim pois acho dificil ler obras que seguem em constsnte. Não me prende, nem chama a atenção. Amei sua resenha, mas passo a dica dessa vez

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  14. Oi.
    Esse é o tipo de enredo que desperta meu interesse, mas ao mesmo tempo eu teria que estar preparada para ler. Gosto de assuntos sérios, mas não gosto de ficar incomodada e revoltada durante e leitura. E com certeza algumas coisas me irritariam muito, na verdade já fiquei irritada na sinopse.
    Adorei a resenha e anotei a dica para ler mais para frente.
    Beijos.

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  15. Oie!

    Já li outras resenhas sobre essa obra, mas infelizmente é um gênero que não curto e não leio, achei muito interessante a proposta da obra e com certeza quem gosta desse estilo de história irá gostar, eu passo a dica!

    Bjss

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  16. Olá Mayara, tudo bem?
    Eu ainda não li esse livro, mas estou com ele em casa para ler. Confesso que sua resenha me desanimou bastante, eu não imaginava que o livro tinha essa pegada autobiográfica e nem que seria difícil de ser lido, mas é legal ele lidar com homofobia e fanatismo religioso. Vou ter que ler para ver o que vou achar, mas não farei a leitura para ontem rs.
    Beijos

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  17. Oie!
    Eu gosto de ler livros com uma temática atual, que ainda vai me fazer refletir.
    Confesso que não sabia desse lançamento, e gostei dos detalhes que passou sobre a história, onde fiquei conhecendo um pouco mais de tudo o que acontece.
    Com certeza, vou gostar dessa leitura.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  18. Olá, essa é uma leitura que quero fazer, infelizmente é um tema que é realmente pertinente esse da homofobia e do fanatismo, deve ser uma leitura que nos incomoda em alguns momentos mesmo.

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  19. Esse livro é tão denso! Meu deus, mas concordo contigo, não vi um ápice nele, pra mim a ultima parte é a que mais andou, principalmente pelo plot triste final, né? Mas sem dúvidas a critica feita pela autora é muito válida.

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  20. Oi, tudo bem?
    Eu até hoje não li uma história que abordasse o tema LGBT de sua forma verdadeira. Sempre com um jeito clichê. E apesarr de não ser LGBT,apoio a comunidade e tenho amigos queridos que são homossexuais... Eu não li esse livro, mas não é a primeira resenha de 3 estrelas que vejo. Acho que é um tipo de leitura válida, porém, eu não gosto de histórias tão detalhadas como descreveu. Me cansa! Adorei a sinceridade da sua resenha! Beijos

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