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30 de novembro de 2016

Resenha: A Menina Submersa: Memórias.

Título: A Menina Submersa: Memórias.
Autora: Caitlín R. Kiernan.
ISBN-13: 9788566636536.
ISBN-10: 8566636538.
Ano: 2015. Páginas: 320.
Idioma: Português.
Editora: DarkSide® Books.
Gênero: Fantasia / Horror / Literatura Estrangeira.
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Sinopse:
Com uma narração intrigante, não linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.



Ainda não larguei o meu momento Hallonween... "Vamos que vamos!"

Olá, Nana Garces aqui e hoje... cara, hoje a coisa vai ficar muito maluca... A resenha de hoje é do livro "A Menina Submersa" da autora Caitlín R. Kiernan. Antes de começar a falar sobre esse livro, vamos começar pelo... começo! Sim, pelo que esse livro mais chama a atenção, a edição incrível da Darkside, que não é mais novidade para ninguém, porque Darkside é Darklove! <3

A Menina Submersa tem uma edição incrível, parece que você está abrindo um diário muito bem reservado, algo que não deveria ser aberto, com segredos sombrios, tipo aqueles diários fechados a ferro que são encontrados embaixo de mares (viajando aqui - rs). E os detalhes dentro são tão lindos, bem colocados, sem exageros, é um trabalho limpo e o detalhe da margem rosa é um mimo (Limited Edition). Claro que estou me referindo a versão de luxo da Darkside, porque tem a versão mais simples que tem uma capa um pouco mais macabra, com o rostinho de uma mulher... afogada. Mas como li a versão de luxo e como li muitos comentários de leitores que adquiriram a versão de luxo justamente por sua edição, vou me ater a essa versão: Perfeita!

O livro já começa deixando algo bem claro: “Este livro é o que é, o que significa que ele pode não ser o livro que você espera que seja.” CRK (que eu imagino que seja Caitlín R. Kiernan).
Essa frase logo no começo do livro, descrito como uma dedicatória, mas que na verdade serve como um aviso, é a essência do livro. A autora já deixa claro que, cuidado, você pode estar se enganando com o que espera aqui e se engana mesmo.

Eu me enganei, porque tinha uma ideia muito diferente do que li, a minha opinião, se me surpreendeu ou não, fica pro final! Vamos falar um pouco sobre o que você vai encontrar no livro.

Descrito em primeira pessoa, com suaves vislumbres de terceira em meio ao texto da personagem principal, isso mesmo, já começa bem louco. Quem conta a história é India Morgan Phelps, mais conhecida como Imp. Ela mora em Providence, Rhode Island e quer contar sua história de fantasmas.

Imp é louca, totalmente louca, literalmente louca. Ela começa contando sua história familiar e diz claramente que vive uma maldição de família, que veio de sua avó, passou por sua mãe, até chegar nela. Tanto sua avó, como sua mãe, também eram loucas, sua mãe, inclusive, cometeu suicídio dentro de um Hospital (para loucos). O nome do livro vem de uma fixação de Imp por um quadro chamado A Menina Submersa de Phillip George Saltonstall, ela simplesmente não consegue tirar esse quadro da cabeça e ele tem um grande efeito em India, tanto que você o vê várias vezes sendo pronunciado durante o livro. Esse quadro, assim como a história da avó e da mãe dela, como o Hospital e outros detalhes, a assombram, inclusive, Imp escreve “Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo.” E isso é muito importante para que se entenda a dinâmica de leitura.

Imp tem um problema sério de memória, ela tem medo de esquecer e misturar o que é real, de factual ou apenas uma mentira, então ela resolve escrever suas lembranças para que possa sempre se lembrar do que é importante. Porém, quando a personagem vai escrevendo, você começa a sentir que Imp tem um problema muito mais sério de memória. O leitor não encontra uma leitura linear da vida de Imp, é uma espiral de informações, ela vai e volta na mesma informação deixando a sensação de nunca chegar onde ela deveria chegar. Eu sei, parece louco e é mesmo! Junto com o montante de personagens, Imp fala sobre a psiquiatra na qual ela vai e da relação dela com os remédios, e como eles a ajudam a manter a “normalidade”. Outra personagem que não posso deixar de mencionar, porque é uma personagem incrível, é Abalyn, namorada da protagonista que ela encontrou quando Abalyn estava sendo expulsa da casa da ex-namorada dela.

Não quero deixar muito explicito o papel de cada um aqui, mas todos os personagens são de incrível importância para a trama, e assim como você vai conhecendo mais da Imp, acontece o mesmo com Abalyn e a Dra. Ogilvy, de uma maneira mais suave porque a história é contada pela India.

Todavia, o centro da história é em volta de Eva Cunning e o dia em que Imp a encontrou, não quero contar como foi esse encontro porque ele é muito interessante, essa foi uma das cenas mais legais e loucas que já li. A autora consegue contar dois cenários num mesmo momento e deixar o leitor em choque. É incrível, só lendo pra entender. Tmabém não quero me focar na história, pois é algo que o leitor tem que descobrir sozinho. Mas quero falar um pouco sobre o que o leitor vai achar n’A Menina Submersa, acho que estou conseguindo - risos.

É um livro com muita, mas MUITA informação cultural, literária, artística, é uma lista enorme de influencias e tudo é muito bem encaixado, dá pra ver que esse livro deu muito trabalho para ser escrito, inclusive a autora deixa isso claro na Nota da Autora, no final do livro. Como a protagonista gosta de pintar e ler, você consegue ver que tem um entendimento dela sobre os fatos e muita coisa que é real, outras, entretanto, foram criadas pela autora (ela deixa isso bem claro no final), mas que são extremamente importantes para o enredo. Porém, como tem muita informação, a leitura pode parecer repetitiva e cansativa. Indico para que, se você está lendo, ou pretende ler, não pule partes, não desista do livro, ele vai te recompensar no final. Sobre não pular partes, é importante que não faça isso, porque tudo dentro do volume de informações desse livro (e é um volume grande) tem uma ligação com a loucura de Imp.

Como mencionei antes, a literatura desse livro não é nem linear, nem muito convencional. O leitor vai se ver lendo a mesma coisa algumas vezes, ou voltando e indo do passado para o presente, pro futuro. O mais legal, de longe, é que a autora consegue quebrar, totalmente, os padrões do que é convencional na escrita, como repetições e colocar no texto sem que o torne confuso, ou chato, porque você sente a loucura que se passa na cabeça da Imp (e quando ela piora é o mais legal!). Essa aproximação com a personagem é o que amo em qualquer livro, o leitor começa a sentir empatia pela personagem, a entrar um pouco na cabeça de um personagem maluco.

“Lamento que você tenha cometido um erro tolo e terrível, India Morgan Phelps, decidindo contar esta história de fantasmas tal como você a lembra, como duas narrativas separadas, como uma partícula e uma onda, o diabo e o mar azul mais profundo, em vez de limitar-se a uma única narrativa isenta de paradoxo e contradição”.

Antes de dar a minha opinião sobre esse livro e terminar essa resenha que está se estendendo demais e talvez se repetindo, queria falar sobre os contos que encontram-se dentro desse livro, contos que são escritos pela própria Imp. Neles senti uma escrita lúcida da personagem e consegui fazer um paralelo entre o que a autora criou para a protagonista e o que ela cria enquanto lúcida, nesses contos o leitor consegue ver o poder literário que Caitlín possui. Não pulem esses contos! Eles são importantes para o desenvolvimento do livro!

Novamente, peço: Não desistam desse livro!
Nessas semanas que passei lendoo, vi muitas pessoas falando que desistiram, que abandonaram e é uma pena, porque depois que a personagem consegue chegar na trama tudo fica muito legal, e nada é o que realmente parece. Por isso que não quero contar demais sobre a história. Não é um livro fácil de ler e acho que ele não foi feito para ser fácil, a ideia que me passou é que foi criado para ser algo que perturbe, não achei ele assustador, mas passa uma sensação de “algo está para acontecer” e esse sentimento permanece da metade em diante do livro, causando um pouco de ansiedade. A trama demora a engrenar e pode causar a sensação de que que você está preso em uma introdução eterna, mas dá pra entender que é porque a personagem não quer falar o que a assombra e fica enrolando propositalmente.

Particularmente, passei do ódio ao amor por esse livro, ele me irritou demais no começo, mas por fim estava devorando, enlouquecida pra chegar no final e saber o que é verdade ou mentira e esse é outro ponto, o leitor dificilmente vai saber o que é verdade ou mentira no enredo e vai duvidar do que a protagonista fala em diversos momentos, ela também se confronta e se você for como eu, vai sentir um pouco de receio por ela.

Para finalizar, não vou dar uma nota para esse livro! Eu nem sei qual nota daria porque é um livro complexo de se julgar. Só posso falar que eu amei esse livro, ele me conquistou aos pouquinhos, pagina após pagina. Foi algo incrível que me abriu muito os olhos, sobre escrita.

Espero que vocês tenham gostado da resenha. Se leram ou compraram o livro e desistiram, me digam nos comentários! Sei que não costumo responder aos comentários, mas prometo que começarei a fazer isso!

Vou deixar algumas frases que mais amei aqui embaixo e é isso! Beijos e até a próxima!!

[Quotes]
“A normalidade é um comprimido amargo do qual reclamamos”.

“(...) assombrações são memes, em particular, transmissões de ideias perniciosas, doenças contagiosas sociais que não precisam de hospedeiro viral nem bacteriano e são transmitidas de milhares de modos diferentes. Um Livro...”.


“O que mais tememos não é o conhecido. O conhecido, por mais horrível ou prejudicial à existência, é algo que podemos compreender. Sempre podemos reagir ao conhecimento. Podemos aprender suas fraquezas e derrotá-lo. Podemos nos recuperar de seus ataques. Uma coisa tão simples quanto uma bala poderia ser suficiente. Mas o desconhecido desliza através de nossos dedos, tão insubstancial quanto o nevoeiro”.  



12 comentários :

  1. Olá, parece ser bem curioso e diferente, hein! Que experiência que você teve com ele! Por enquanto, não é o tipo de leitura que estou procurando, mas muito obrigada pela dica!

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  2. Eu tenho as duas capas do livro aqui comigo, cofesso que a da foto é minha favorita. Kkkk
    Eu concordo com você eu também fui do ódio ao amor com esse livro, eu gosto de seguir uma lógica e com esse livro não rola isso não é mesmo?? Mas o livro é incrível.

    Beijos.

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  3. Meu Deus esse livro é a coisa mais linda que eu já vi, tenho muito interesse sim para ler!

    Arthur-
    literandototal.blogspot.com.br

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  4. Olha, não gosto desse gênero mas é impossível não ficar interessada em uma trama como essa. Nãos ei se terei coragem para ler, mas fiquei com vontade e espero poder ler em breve. Gostei de ver sua opinião e de conhecer um pouco mais sobre a obra.

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  5. Olá
    Eu já vi muitas resenhas positivas desse livro e acho a edição linda, mas o catálogo darkside são pouquíssimos livros q leria e esse não é um deles, por mais positiva que tenha sido a sua resenha. Sou medroso demais. Acabo desistindo.

    Abraços
    David

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  6. Olá,
    A edição realmente parece ser extremamente detalhada e parece um diário que nos trará segredos sombrios. Achei muito interessante que a obra tenha muitas informações literárias e culturais sendo bem encaixadas!
    A premissa é muito interessante e tenho certeza da complexidade para fazer uma avaliação dessa obra e assim dar uma nota.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  7. Oie!
    Eu estou passando por isso com outro livro, o começo está bem dificil, espero que melhore no decorrer dos capítulos. Eu ainda não li o livro, mas já sei o que esperar do começo dele. Uma ótima dica.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  8. Nossa, Nana.
    Depois de ler essa sua resenha super empolgada, acho que vou abrir uma exceção e vou colocar esse livro na minha lista de desejados! Não tinha ideia de que esse livro tivesse uma história tão complexa! Adoro tramas com narrativas não lineares!
    Vou dar uma chance com certeza!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  9. Olá.
    Esse livro está na minha lista principalmente por causa dessa edição MARAAAAAA e segundo por causa da premissa interessante.
    Fiquei curiosa sobre o leitor ler as mesmas coisas indo do passado para o presente, pro futuro, não entendi direito e fiquei curiosa hahahahha.
    Parabéns pela resenha maravilhosa.

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  10. OiiI!

    Essa diagramação está tão linda que não tem como não amar né???
    Eu não li ainda pois o enredo não é muito meu estilo, maaaas gostei de ver por aqui sua resenha tão completa! Acho que é normal um livro com tantas informações cansar e atrapalhar um pouco, mas o importante é não desistir. Que bom que não fez isso!

    Beijinhos

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  11. oi, que bacana ver que você gostou tanto do livro. sinceramente não sei se eu teria paciência com essa trama aparentemente meio confusa, mas achei bacana o fato de ter tanta informação cultural. e que ótimo que você persistiu na trama e foi surpreendida.

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  12. OI
    que bom que você gostou do livro, ao longo do tempo tenho visto críticas mistas sobre esse livro, alguns reclamam outros amam, mas sempre em extremos, ou ama ou odeia. Eu não leio livros nesse estilo, mas tenho muita vontade de presentear uma pessoa com esse livro, quem sabe em breve, não?

    Talita - Viciados em Leitura

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